Translate

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Cada um com sua consciência

Antes de iniciar, gostaria de dizer que não tenho a pretensão de dar nenhuma resposta aqui, nem mesmo uma opinião formada, portanto se você quiser contribuir com algo sinta-se a vontade.

Passamos pelo Natal que é uma festa religiosa e durante todo ano temos um calendário repleto de feriados religiosos de santos disso e daquilo, nossas senhoras e os feriados cívicos. Sem dúvida a religião influi a sociedade como um todo coletivamente e não apenas individualmente. As escolas, por mais laicas que se digam, usam o discurso religioso como justificativa para afirmarem que fazem parte da cultura do povo.

O estranho disso tudo é que por sermos um país multicultural e multirreligioso as crenças se batem, uma vai contra a outra. O bom disso é que cultivamos a tolerância e isso é maravilhoso visto que muitas guerras que ocorreram foram por motivos religiosos. Mas de certa forma as religiões acabam se enfraquecendo. Vejam bem, a religião explica o mundo em sua totalidade, ela responde os porquês de quem somos, da onde viemos e pra onde vamos. Não há meio termo. No monoteísmo que é a crença predominante no ocidente só há um Deus, uma verdade apenas. Se existe x não existe y. Não tem como existir os dois e com essa noção as pessoas acabam achando que talvez não exista nada ou pior, exista tudo. Isso leva a superficialidade das doutrinas. Não que as religiões acabem, elas são necessárias, pois trazem conforto, socializam mantém a tradição, fazem parte da cultura. Mas seu lado místico acaba esmorecendo, vira apenas mais uma tradição como assistir novela, ir no futebol. É como ler um livro de contos de fadas, papai Noel para os adultos. Bonitinho, legal, entretém mas na verdade na verdade mesmo as pessoas não parecem acreditar de fato no que professa sua religião.

Sim, há os puritanos, os que realmente acreditam na sua religião, os fiéis chamados de fanáticos. Esses hoje em dia são minoria. São achados mais nas classes baixas de pessoas com pouco estudo. Não que os que tenham fé sejam ignorantes, é que muita coisa que as doutrinas diziam ser pecado caiu como tabu, preconceito, discriminação. Se você disser que é contra a camisinha, é um alienado, a maioria dos católicos não concordam com isso. Casar virgem é algo que não acontece mais como antes. E mesmo antigamente os noivos iam pro altar conhecendo os prazeres da carne, se não fosse com sua noiva era com as mulheres da vida. Ou seja o que era pecado ontem deixa de ser hoje ou é pecado apenas pra um gênero. A sociedade evolui culturalmente ao passo que as religiões às vezes evoluem, outras vezes simplesmente fazem vista grossa.

Não dá pra rasgar a bíblia e dizer que algo não está escrito. Ela não defende os gays, condena a fornicação mas os homossexuais e os fornicários (todos que transaram antes do casamento) não se acham merecedores do inferno. Matar é pecado mas matar durante uma guerra pode. Matar um criminoso em lugares em que há a pena de morte não é pecado.

Não temos mais certos e errados absolutos. Tudo depende da sua consciência. Se você acha que pode então faz. Tem gente que acha que pode roubar e não sente um pingo de remorso, os políticos devem ter esse dom, outros matam e se sentem felizes, leves e dormem feito bebês. O único erro condenável pela sociedade é julgar o outro. Se você apontar o dedo alguém vai lá e te crucifica. Quem somos nós? Devemos apenas torcer que alguém tenha uma consciência sensível para não nos prejudicar, pois se tiverem podemos ser vítimas num mundo onde não há vilões, apenas pontos de vista diferentes.

A impunidade aumenta a cada dia. A lei é para inglês ver, na realidade pouco funciona. Nossa sociedade permissiva se vende a tudo. O maior criminoso é inocentado graças a retóricas, brechas na lei que um bom advogado consegue encontrar.

Dizem que a justiça vem a cavalo, mas acho que talvez a justiça nem venha. Talvez nós a tenhamos matado quando convidamos o relativismo pra fazer morada em nosso meio.

3 comentários:

Arlene Mulatinho disse...

Testando 1, 2, 3, testando.

Marcos Valério Cabeludo disse...

Na escuta, cambio!

Ana Líbia disse...

Ótima visão, Arlene. Se a diversidade opinativa tivesse esse espaço justo que você dá a ela, talvez a tolerância fosse mais praticada hoje em dia.
Gostei muito do que li, e agora vou virar habitué daqui!
Um beijo, Ana!

*obrigada pela visita lá no neversleeps! Fiquei super feliz!