Independentes emocionais. Isso, não podemos precisar de ninguém, devemos ser felizes sozinhos. Primeiro se ame. O outro será apenas uma companhia. Assim comunga a sociedade moderna, assim ditam os livros de auto-ajuda. Seja você, apenas você.
Na verdade essa é a melhor forma de não se decepcionar, não esperar nada de ninguém. Criar laços superficiais facilmente substituíveis por outros. Assim fica mais fácil, menos perigoso, mais raso, vazio, medíocre.
Infelizmente nos dias de hoje as pessoas temem se entregar, não fisicamente, aliás parece que a insensibilidade emocional cresce proporcionalmente ao liberalismo sexual. As pessoas em geral, em especial as mulheres, buscam se conectar com alguém através de um momento efêmero de prazer. Algo além disso é perigoso. Se não podemos amar podemos gozar ou pelo menos tentar.
Não me espanta o aumento vertiginoso da depressão nos dias atuais. Seres humanos foram programados geneticamente para o contato humano, para laços profundos, nosso cérebro procura essa estabilidade, mas como não podemos confiar em ninguém, nos entregamos ao individualismo .
Para sermos gerados precisamos de duas pessoas, apesar da inseminação artificial e toda modernidade tecnológica é assim que as coisas funcionam. Ao nascer, o bebê precisa não apenas do alimento, mas do calor, sensação de proteção, afeto. Brincar sozinho é até legal, mas certas coisas se tornam mais interessantes em grupo. Ninguém consegue sentir o turbilhão de emoções da paixão por si mesmo. O outro desperta o melhor e o pior em nós.
Nascemos sozinhos, mas pra isso precisamos de alguém pra nos expelir do lugar que estávamos. Alguém pra cortar nosso umbigo. Morremos sozinhos, mas não vivemos completamente sós. E morrer acompanhado pode amenizar seu sofrimento, afinal ter alguém pra lhe aplicar morfina, segurar na sua mão é melhor do que morrer agonizando sozinho.
Perdoe-me se estou sendo piegas, mas não me envergonho de sê-lo. Quando é que falar de sentimentos se tornou démodé? Por acaso no lugar do coração temos um HD?
Viver sem amor não faz sentido. Se existe algum sentido na vida é este. Lembro-me de um livro que a maioria conhece que é o "O Mais Importante é o Amor". Li, gostei. Esse título parece que a cada dia se torna mais real.
Quando você está num momento de apuros e pensa que talvez sua vida acabe naquele instante você não pensa nas suas roupas, nos seus bens materiais, mas naqueles que você ama que se importam com você e é por eles que lutamos. Por isso que queremos ser lembrados, não por quem não nos conhecia, pelo menos eu não vejo sentido em alguém olhar uma foto minha e não saber de fato quem fui e não ter importância na vida desta pessoa. Não é a toa que se vendem seguros de vida e que acumulamos bens pra deixar de herança para nossos entes queridos. É um último presente, um carinho, um "não se esqueça de mim, fique bem apesar de minha ausência"
Pena que a sociedade está cada vez mais afogada nos prazeres efêmeros e perdendo os valores familiares, fraternos. Nenhuma droga, nem crack, álcool, ecstase substitui a confiança do outro, a integridade, o amor recíproco. Nada.
A liberdade se transformou em libertinagem e esta deixou muitos perdidos. Liberdade demasiada se configura abandono.
Não é a toa que o capitalismo liberal ciclicamente acaba com um caos, uma grande crise. Estamos vivendo-a seja economicamente, seja socialmente. Precisamos reavaliar nossos parâmetros. Se uma coisa não está dando certo é melhor estudar novas estratégias, afinal viver não é só acumular bens, mas sim ser feliz. Será que estamos conseguindo isso?
Um comentário:
Assim também são os epicuristas.
Felizes à sua maneira...
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