Por que temos filhos? Esse impulso é da auto preservação da espécie, instintivo, muitas vezes estamos correndo atrás disso inconscientemente. Disse Deus: "Crescei e multiplicai".
Hoje não precisamos mais multiplicar tanto, aliás já somos muitos, mais do que o bastante até. Mas refiro-me aqui a qual é o motivo que damos a nós mesmos pra ter filhos. Algumas assim o fazem como uma forma de "enricar", afinal engravidar de um Ronaldinho Fenômeno ou Mick Jagger não é nada mal. Outras apenas querem dar o golpe da barriga, não por dinheiro mas por amor. Tão velho quanto à natureza humana. Não condeno, afinal só cai nele quem quer e como tudo na vida precisa de um motivo, poucas vezes temos a hombridade de nos responsabilizar pelos nossos atos. É culpa do destino, acaso, Deus quis assim, às vezes não temos controle mesmo mas há momentos em que simplesmente nos encolhemos e nos entregamos a inércia.
Voltando aos filhos e suas motivações encontramos algo além de usar a barriga pra conseguir algo ou alguém. Muitas vezes o que se quer é o filho em si. Aquele serzinho indefeso, sangue do seu sangue, aquela incógnita, realizar um desejo íntimo, social, psicológico. Dizem que esse tipo de gravidez é por carência, é como ter um animalzinho, preencher um vazio. A diferença é que com animais é tudo bem previsível. Escolhendo bem o tipo e a raça você sabe bem como agir com ele pra ter o que espera. Mas ser humano não é bem assim. Tirando os primeiros meses em que todos são quase iguais (máquinas de cagar, mamar, peidar e dormir), eles são bem diferentes entre si, diferentes dos pais, ou não.
E outra coisa: eles crescem. Os animais chegam num estágio e estacionam, filhos não. É uma mutação ambulante e constante. Eles podem dizer te amo e te odeio. Enquanto crianças um ou outro não faz muita diferença, afinal eles precisam de você de qualquer jeito. Mas o que realmente diz quem eles são é quando crescem e não precisam mais de você para sustentá-lo, pra trocar suas fraldas. Aí você vai ver o que criou. Há filhos maravilhosos. Aqueles que te apóiam, que fazem com que tudo tenha sentido, que te realizam como ser humano e faz com que sua missão na terra tenha sido cumprida. Nada como o amor de um filho feito, adulto que por opção escolhe pajiar seus pais, estar com eles, segurar em sua mão assim como eles fizeram contigo quando era indefeso. Muitos depositam nos filhos suas expectativas de uma velhice segura e confortável. Já nascem com o fardo em suas mãos, a herança de ter que carregar idosos exigentes de afeto e atenção para o resto da vida de seus genitores. Mas nada mais justo, afinal, se não fossem eles você teria sido criado por um orfanato. Mas as coisas não são tão simples. Há pais e pais. Nem todos merecem gratidão, afinal bem plantaram o que agora querem colher.
De outro lado temos os filhos ingratos. Esses se multiplicam por aí. Filhos de uma sociedade imediatista que despreza o ontem e vive o hoje. Os pais foram úteis, amanhã não serão e nem hoje. Por que se esforçar em agradá-los? Não haverá retorno. Preferem viver da melhor maneira seus anos de juventude e deixar os velhos com seu passado, sua senilidade, suas dores da idade, seu vegetativo estágio de espera da morte. Dizem que a vida nem sempre é justa; pois é, sabemos disso e preferimos ser os injustos a injustiçados, não que não possamos mudar de lugar, mas pelo experimentamos os dois lados e não haverá decepção. Muitos desses filhos ingratos põem seus pais em asilos, os abandonam nas ruas, ou simplesmente os entregam a solidão de uma casa vazia vivendo debilitadamente, afogados em lágrimas onde nem um telefonema sequer de seu filho recebem, quanto mais uma visita. Pois é, eles não sabiam que a vida é injusta para alguns. Esses se decepcionaram. Muitos rezam na expectativa do céu, outros perderam a fé. Muitos deles se matam. É o mundo em que vivemos.
Será que vale a pena ter filhos? Abdicar de sua vida, muitos de seus sonhos pra satisfazer os desejos de um outro ser? Sim, vale. Não sabemos muito do futuro, mas vale a pena pela luz refletida no olhar de seu filho, pelo sorriso, pelo "eu te amo", pela sua voz ou apenas por ser chamado de mamãe ou papai. Quem sente esse desejo no coração com certeza deve assumir os riscos. Afinal nada na vida nada é garantido. Se seu sonho for ter um filho ou mais, vá adiante, realize-se, dê o seu melhor, seja feliz. Expectativas? Sim, são boas, mas saiba que tudo é possível, mas não pense no pior. Geralmente quem planta caju não colhe manga, mas nesses tempos de manipulação genética nunca se sabe. Filhos, melhor tê-los; isso é, se você quiser e tiver coragem pra tal.
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