Quando se é criança os anos parecem intermináveis, o futuro é algo além do horizonte numa aurora fresca e instigante. Sonhos. A vida nessa fase é uma grande brincadeira onde se pode ser o que quiser e no futuro ser qualquer coisa, ter a profissão mais glamourosa, viver os momentos deslumbrantes e cinematográficos. Com o tempo, com a calcificação dos ossos, com o fechar da moleira, com o nascer do ciso nossas opções vão se fechando, afinal você descobre que há habilidades que não tem e nunca terá, oportunidades que não voltam e tudo começa a se afunilar, seus sonhos começam a virar realidade e certas coisas simplesmente são impossíveis.
Não que crescer seja de todo mal, afinal a outra alternativa é morrer jovem e isso ninguém quer, pelo menos não conscientemente. Apenas sonhar sem realizar nada não é o que almejamos. Frustrações fazem parte da vida e lógico que de todos os sonhos alguns são realizáveis e esses nos fazem felizes. Mas com o tempo até as realizações sonhadas viram passado e o que se tem pela frente, bem, há momentos em que não há muita coisa. Em que temos mais passado que futuro e o que se espera dele não pode ser muito.
Suas principais escolhas são feitas na juventude, acredite isso é cientificamente provado, com o tempo seus neurônios vão enfraquecendo, seu corpo vai perdendo o vigor. Aquela máxima de que a vida começa aos 40, só se a vida for sinônimo de decadêcia. Sim, começamos a morrer quando nascemos, mas a descida fica mais intensa depois da meia idade; nas mulheres é ainda pior. Os hormônios cessam, os ovários se aposentam e ficamos assim calorentas, estéreis, menopausadas. Tudo isso todos já sabem, nada acrescento. Mas digo essas palavras nada doces pra descortinar o eufemismo da sociedade que ainda insiste em nos tratar como crianças ao nos empurrar sonhos e ideais irreais. Feliz daquele que engole isso tudo. Felizes daqueles que cultivam em si a inocência do olhar de criança. Que acredita em mentira - falarei sobre ela em outra oportunidade. Felizes são os ignorantes, pois qualquer "iêiê" sem motivo os alegra. Porque se você procurar muito sentido nas coisas pode se frustrar e ver que a fantasia é a alternativa que as crianças instintivamente usam pra terem ânimo pra viver. Pena que crescemos...
Um comentário:
Este me lembra uma coluna que li há alguns dias:
http://www.acontecendoaqui.com.br/index.asp?dep=16&colunista=12&pg=17636
Belo texto.
Caterine
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