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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Conto: Loucuras no Futebol Politicamente Correto



Dois times entram em campos o Atlético de Melão e o Regatas  do Café.  O primeiro cheio de atletas bem apessoados, alguns baixos outros altos, músculos definidos, equipe bem entrosada. O segundo  com jogadores altos, pernas bem torneadas e bastante confiante.  O juiz de aparência franzina que além de suas  habilidades futebolísticas é sociólogo, mestre em direitos humanos, doutor em filosofia.

Começa a partida. O juiz decide não jogar a moeda para decidir quem começa o jogo. Conta qual time tem mais negros e decide que o justo é começar por eles. Todos aceitam, afinal quem seria doido em desafiar o juiz logo no começo.

A partida começa equilibrada, os dois times com boa posse de bola, jogadas precisas e tiradas rápidas. Passa da metade do primeiro tempo e o Regatas do Café começa a apertar. Maurão, jogador forte, um dos maiores entre eles comete uma falta violenta contra Danilo, o melhor atacante do Atlético de Melão.  Silêncio entre os jogadores, Danilo grita de dor, não consegue se mexer.  Começa a discussão entre os jogadores do Melão com o juiz, Pietro, mais exaltado esbraveja:

_  Isso foi covardia, tem que ser expulso seu juiz!

_ A questão não pode ser vista dessa forma, não sabemos direito o houve.

_ Mas está claro, ele avançou contra o Danilo pra machucar mesmo.

_ Como você pode saber o que está dentro dele? Como pode julgar desse jeito? Por acaso é o dono da verdade?

_  O que devemos fazer então? Um cometer falta contra os outros porque ninguém sabe o que passa dentro do outro?

_ Você está premeditando.... Já avisou publicamente aqui, tudo que fizer  será considerado vingança. Onde está seu senso de ética? Vocês acham que eu não vejo isso?

_ O senhor Juiz só ver o que quer!

O juiz respirou fundo e disse bem firme:

_  Eu vejo pessoas  julgando e submetendo outras sem levar em consideração os motivos que levaram alguém a cometer seus atos, se é que cometeram.

_  Não há motivos, o motivo é trapaça!!

_ Muito comum julgar um negro, não  é mesmo?

_ Mas não é isso, a questão que ele cometeu a falta.

_ Isso é o que supostamente ocorreu, a acusação é você quem faz.

_ Todos viram, como vão te respeitar se nada fizer?

O juiz vira as costas e tira o Maurão de campo e Danilo é levado pela equipe médica. O jogo continua, minutos depois Maurão volta a campo. O técnico do Melão esbraveja enquanto a torcida do  Café delira na arquibancada.  No intervalo do segundo tempo os repórteres comentam o assunto elogiando a atitude do juiz. As câmeras mostram a falta, mas  alguns especialistas afirmam que não tem como afirmar se o Maurão tinha mesmo a intenção de fraturar a perna do atacante, que  num impulso é justificado atitudes mais impensadas, que principalmente, o Maurão por ser um jogador muito querido merecia voltar.

No segundo tempo  o time do Café retorna mais forte, domínio da bola e moral lá em cima. Marca o primeiro gol, por Maurão que leva a torcida ao delírio.  Marca o segundo minutos depois.  As faltas  continuam, o time do Melão fica mais na defensiva. Pietro, do Melão, avança sobre o Maurão que cai no chão gritando de perseguição. O juiz irado levanta o cartão amarelo. Começa a discussão:

_ Você foi mesmo capaz de se vingar. Isso não vai fazer seu time vencer.

_ Nosso melhor jogador foi atacado por esse verme. Você permite que ele volta e fica nisso mesmo?!

_   Ele se justificou e eu decidi que ele não tinha culpa. Você avisou e ainda o xinga.

O juiz levanta cartão vermelho.

_ Por que vermelho, seu juiz?

_  Você  acabou de cometer uma falta avisada contra um jogador afrodescedente e o xingou de verme. Isso é é ofensa racista.

_  Não seja por isso, você também é um verme!

_  Bonito, junta a isso ofensa contra homessexual. Você tem que ser preso!

_  Mas eu nem sabia que você era gay!


Regatas do Café ganhou o jogo, Maurão virou celebridade e o juiz escreveu vários livros, faz palestras e é professor universitário. 

O Pietro? Foi processado, perdeu dinheiro, os amigos viraram as costas, ficou deprimido, voltou pra sua cidadezinha no seu antigo emprego.