Dois
times entram em campos o Atlético de Melão e o Regatas do Café.
O primeiro cheio de atletas bem apessoados, alguns baixos outros altos,
músculos definidos, equipe bem entrosada. O segundo com jogadores altos, pernas bem torneadas e
bastante confiante. O juiz de aparência franzina que além de suas habilidades
futebolísticas é sociólogo, mestre em direitos humanos, doutor em filosofia.
Começa
a partida. O juiz decide não jogar a moeda para decidir quem começa o jogo.
Conta qual time tem mais negros e decide que o justo é começar por eles. Todos
aceitam, afinal quem seria doido em desafiar o juiz logo no começo.
A
partida começa equilibrada, os dois times com boa posse de bola, jogadas
precisas e tiradas rápidas. Passa da metade do primeiro tempo e o Regatas do Café começa a apertar. Maurão, jogador forte, um dos maiores entre eles comete
uma falta violenta contra Danilo, o melhor atacante do Atlético de Melão. Silêncio entre os jogadores, Danilo grita de
dor, não consegue se mexer. Começa a
discussão entre os jogadores do Melão com o juiz, Pietro, mais exaltado
esbraveja:
_ Isso foi covardia, tem que ser expulso seu
juiz!
_ A
questão não pode ser vista dessa forma, não sabemos direito o houve.
_
Mas está claro, ele avançou contra o Danilo pra machucar mesmo.
_
Como você pode saber o que está dentro dele? Como pode julgar desse jeito? Por
acaso é o dono da verdade?
_ O que devemos fazer então? Um cometer falta
contra os outros porque ninguém sabe o que passa dentro do outro?
_
Você está premeditando.... Já avisou publicamente aqui, tudo que fizer será considerado vingança. Onde está seu
senso de ética? Vocês acham que eu não vejo isso?
_ O
senhor Juiz só ver o que quer!
O
juiz respirou fundo e disse bem firme:
_ Eu vejo pessoas julgando e submetendo outras sem levar em
consideração os motivos que levaram alguém a cometer seus atos, se é
que cometeram.
_ Não há motivos, o motivo é trapaça!!
_
Muito comum julgar um negro, não é
mesmo?
_
Mas não é isso, a questão que ele cometeu a falta.
_ Isso
é o que supostamente ocorreu, a acusação é você quem faz.
_
Todos viram, como vão te respeitar se nada fizer?
O
juiz vira as costas e tira o Maurão de campo e Danilo é levado pela equipe
médica. O jogo continua, minutos depois Maurão volta a campo. O técnico do
Melão esbraveja enquanto a torcida do
Café delira na arquibancada. No
intervalo do segundo tempo os repórteres comentam o assunto elogiando a atitude
do juiz. As câmeras mostram a falta, mas
alguns especialistas afirmam que não tem como afirmar se o Maurão tinha
mesmo a intenção de fraturar a perna do atacante, que num impulso é justificado atitudes mais
impensadas, que principalmente, o Maurão por ser um jogador muito querido
merecia voltar.
No
segundo tempo o time do Café retorna mais
forte, domínio da bola e moral lá em cima. Marca o primeiro gol, por Maurão que
leva a torcida ao delírio. Marca o
segundo minutos depois. As faltas continuam, o time do Melão fica mais na
defensiva. Pietro, do Melão, avança sobre o Maurão que cai no chão gritando de
perseguição. O juiz irado levanta o cartão amarelo. Começa a discussão:
_ Você
foi mesmo capaz de se vingar. Isso não vai fazer seu time vencer.
_
Nosso melhor jogador foi atacado por esse verme. Você permite que ele volta e
fica nisso mesmo?!
_ Ele se justificou e eu decidi que ele não
tinha culpa. Você avisou e ainda o xinga.
O
juiz levanta cartão vermelho.
_
Por que vermelho, seu juiz?
_ Você
acabou de cometer uma falta avisada contra um jogador afrodescedente e o
xingou de verme. Isso é é ofensa racista.
_ Não seja por isso, você também é um verme!
_ Bonito, junta a isso ofensa contra
homessexual. Você tem que ser preso!
_ Mas eu nem sabia que você era gay!
Regatas
do Café ganhou o jogo, Maurão virou celebridade e o juiz escreveu vários livros,
faz palestras e é professor universitário.
O Pietro? Foi processado, perdeu dinheiro, os amigos viraram as costas, ficou
deprimido, voltou pra sua cidadezinha no seu antigo emprego.
Um comentário:
Bem bolado.
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