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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Adeus para quem já se foi

Quando alguém que foi muito importante morre mesmo depois de estar afastado é homenageado. Tivemos um exemplo disso recentemente, o ator que interpretou o Chaves, Roberto Bolaños faleceu e recebeu várias homenagens, pessoas declarando seu amor eterno ao Chaves. Tudo muito bonito, mas a questão é que o Roberto não atuava há tempos. Ele não era apenas um idoso, mas estava muito doente, debilitado sem exercer suas atividades artísticas costumeiras. O Chaves se foi muito antes do Bolaños. A morte dele realmente deve ter doído para seus familiares e pessoas chegadas, disso não duvido, agora essa comoção pública não faz sentido. Não é o mesmo que perder o Sílvio Santos que atua até hoje com muito talento. O público ama o artista ou o personagem? Por que as pessoas misturam os dois? Entendo que enquanto está ocorrendo a atuação os dois se fundem, pois o personagem pega emprestado o brilho do artista. Mas no caso do Chaves já estávamos de luto pelo personagem a muito, muito tempo, já sentíamos saudades daquilo que já se foi.  Quem morreu foi o Bolaños que era muito mais que o personagem, mas para o público e a mídia em geral não foi bem assim.

Apesar de parecer ser algo apenas do mundo dos famosos, a morte dos que já se foram acontece com pessoas normais. Você deve conhecer alguns idosos que no passado tiveram uma vida brilhante e que agora estão no ostracismo devido seus problemas de saúde e até abandono familiar. Esse é o pior. Quantos avós estão abandonados por aí, deixados num canto qualquer por não serem mais considerados úteis. A vida só é vida mesmo quando é vivida e para ser plena precisa de interação com outros. Não adianta depois que morrer fazer alarde dos que se foram, mas que as pessoas já tinham enterrado em vida. Muitos fazem uso do sentimentalismo,  pior,  logo passam para questões financeiras de herança e tal. Pelo menos o Bolaños tinha seguidores de verdade, família e amigos que iam além do personagem. Infelizmente pessoas normais não tem isso. Muitas se empenham, lutam pelas suas famílias, pela sociedade e por não ter repercussão não tem a mesma sorte que o Roberto teve.


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