Translate

domingo, 27 de março de 2016

Um barraco pra chamar de meu

Somos pessoas de um estilo de vida bem reservado. No geral não recebemos muitas visitas. Meus filhos até que gostariam de ter colegas frequentando aqui em casa, mas morrem de vergonha. Assim como eu quando criança sofria desse mal. Lembro que quando tive que fazer um trabalho escolar e chegou minha vez de levar o grupo na minha casa, foi difícil. O pior foi ouvir as pessoas caçoando no final, fingir que era superior aquilo e engolir seco, mas na esperança de que um dia as coisas não fossem desse jeito. Pois é, muita coisa evoluiu, sonhos se concretizaram mas não consegui me livrar dessa sina: vergonha. Nem a mim nem os meus filhos, sei o que eles passam e não vou pedir que sejam superiores, pois apesar do interior valer mais que tudo nem todos conseguem ver esse valor. Nem todos são almas elevadas, a amioria é tinhosa, mesquinha e encherga um palmo a frente do nariz. Até nós os alternativos sentimos quando algo é esteticamente desagradável passando uma impressão caótica.
Reconheço que dos males da vida  esse é o menor. O pior disso tudo é que não sou mais uma criança cheia de esperança, justamente o contrário e isso é que é o mais dificil de administrar. Sonhos deletados, passado a borracha, colocados na geladeira, melhor, no freezer e vendo a próxima geração lidar com esse complexo de inferioridade. Mas tudo bem, temos dinheiro pra ir para Porto Seguro tirar fotos lindas, fomos a Beto Carrero. Os hotéis eram maravilhosos, daqui onde escrevo nesse momento não.

Nenhum comentário: